Teses Dissertações
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Mestrando(a): MÍRIAM CÂNDIDA SILVA E DIAS
Orientador(a): VERA LÚCIA CANÇADO LIMA
Este estudo teve como objetivo investigar a percepção dos terapeutas ocupacionais sobre o sofrimento/prazer decorrente do exercício de sua profissão, em instituições hospitalares do município de Belo Horizonte. Teve como sustentação teórica os conceitos da Psicodinâmica do Trabalho. O trabalho tem um caráter construtor na vida do homem, sendo visto de forma ambígua: como eixo construtor do ser humano e como fator gerador de adoecimento, podendo ser fonte de sofrimento e/ou prazer. O sofrimento e o prazer decorrentes do trabalho são frutos da história individual do trabalhador e de sua relação com a organização do trabalho. O sofrimento surge quando o trabalho é concebido de maneira rígida, sem levar em consideração a relação homem/trabalho, podendo gerar esgotamento e falta de realização profissional. Já o prazer é decorrente da organização do trabalho na qual se consideram as características e individualidade do trabalhador, tornando-o mais ativo, reflexivo e propiciando reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. Sob a perspectiva de sofrimento e prazer no trabalho, foram investigados os contextos de trabalho, as exigências decorrentes desse contexto, as vivências positivas e negativas, bem como os problemas físicos, psicológicos e sociais, causados pelo trabalho. Desenvolveu-se uma pesquisa de campo, de natureza descritiva, de caráter quantitativo e qualitativo. Os dados quantitativos foram levantados por meio do Inventário de Trabalho e Riscos de Adoecimento ? ITRA, respondido por 48 terapeutas ocupacionais, distribuídos em 19 hospitais do município. Os dados qualitativos foram coletados em entrevistas individuais com 13 profissionais de nove hospitais. A análise estatística descritiva e analítica dos dados quantitativos foi desenvolvida por meio do programa Statistical Package for the Social Sciences ? SPSS. As informações coletadas nas entrevistas foram organizadas de acordo com as categorias propostas pelo ITRA, confrontadas com os dados quantitativos e com o referencial teórico de maneira a construir uma explanação sobre o fenômeno estudado. Os resultados indicam o reconhecimento tanto como fonte de prazer e como de sofrimento. Os terapeutas ocupacionais apontam em seus discursos três fatores principais como geradores de sofrimento no exercício de sua profissão: a falta de reconhecimento da Terapia Ocupacional demonstrada por parte principalmente de alguns colegas da área da saúde, a baixa remuneração e a dificuldade em lidar com alguns aspectos da clínica, tais como doenças degenerativas e condições clínicas crônicas, sem perspectiva de melhora. Já o prazer advém do reconhecimento do trabalho em si, dos resultados da atuação clínica, na relação entre o profissional, pacientes e familiares. Pode-se concluir que esta pesquisa contribuiu para verificação da adequação da escala ITRA e possibilitou um melhor entendimento sobre a profissão do terapeuta ocupacional, reforçando a abordagem teórica existente sobre o prazer-sofrimento.
Mestrando(a): EDVALDO PEREIRA MATEUS
Orientador(a): SIDNEY LINO DE OLIVEIRA
A representatividade do mercado de bebidas ganha grandes proporções quando se pensa na geração de empregos diretos e indiretos que ele movimenta. Com diferentes tipos, sabores e texturas, os investimentos advêm de grandes e pequenas empresas, o que, cada vez mais, consolida o produto no mercado. Segundo dados do Sindicerv (2007), o Brasil é o quinto maior produtor de cerveja do mundo, com 8,5 bilhões de litros/ano, estando atrás apenas da China, com 27 bilhões de litros/ano, Estados Unidos, com 23,6 bilhões de litros/ano, Alemanha, com 10,5 bilhões de litros/ano, e Rússia, com 9 bilhões de litros/ano. O mercado brasileiro de bebidas teve sua concorrência acirrada com a entrada de novos produtos e de novas empresas nos últimos anos, levando as maiores empresas do mercado de cervejas - AMBEV, FEMSA Cerveja Brasil e Schincariol - a estarem em constante disputa. A sobrevivência delas depende de seu posicionamento e das estratégias competitivas que adotam, da agilidade na tomada de decisões e da efetividade operacional. Os fatores apresentados justificam a questão que motiva esta análise: ?Quais são os fatores determinantes de competitividade do segmento de cervejas, segundo a ótica de clientes das empresas AMBEV, FEMSA Cerveja Brasil e Schincariol, na região de Sete Lagoas - MG??. Ou de forma mais ampla ?O que leva um cliente a preferir distribuir a cerveja A, X ou Z?? A pesquisa buscou identificar os fatores determinantes e diferenciais para a competitividade destas empresas cervejeiras, de acordo com a percepção dos clientes. Diferente de outros estudos, esta pesquisa pretende esclarecer como o cliente ?percebe? as estratégias adotadas pelas empresas para competirem no mercado, fator determinante e diferencial em sua escolha de compra entre uma empresa ou outra. Para o alcance do objetivo principal deste trabalho, cabe dizer que este se fundamentou em uma pesquisa quantitativa, alicerçada em uma pesquisa de campo que utilizou como principal instrumento para a coleta de informações primárias o questionário.
Mestrando(a): ADÃO ALVES LUIZ
Orientador(a): PLÍNIO RAFAEL REIS MONTEIRO
Esta dissertação aborda relacionamentos business to business na cadeia de suprimentos em um estudo de caso no comércio varejista brasileiro, e tem como objetivo principal verificar as relações entre o supermercado Verdemar e seus fornecedores. O estudo foi realizado a partir do levantamento de hipóteses e aplicação de um modelo, utilizando construtos mediadores, antecedentes e consequentes do marketing de relacionamento e os construtos funções de valor do relacionamento. A metodologia compreende a concepção de um modelo de marketing de relacionamento voltado ao comércio varejista supermercadista. A coleta de dados foi realizada através de um questionário on line aplicado aos fornecedores ativos do supermercado Verdemar, resultando em 109 (cento e nove) respostas. O modelo foi desenvolvido com vinte e uma hipóteses e procurou verificar as relações entre os construtos antecedentes do relacionamento (qualidade dos processos, custos de término do relacionamento, comportamento unilateral) e os construtos mediadores do relacionamento (confiança, satisfação, comprometimento), e as relações dos construtos mediadores com os construtos consequentes do relacionamento (propensão a manter o relacionamento, comunicação positiva), e finalizando buscou verificar as relações das funções de valor do relacionamento com os construtos mediadores do relacionamento. Como resultados, o modelo proposto obteve doze hipóteses confirmadas e nove não confirmadas, demonstrando que qualidade dos processos, comportamento unilateral, e as funções diretas de valor do relacionamento, confiança, comprometimento, satisfação, propensão a manter o relacionamento e comunicação positiva são os pilares que sustentam os relacionamentos entre o supermercado Verdemar e seus fornecedores.
Mestrando(a): FLÁVIA CARAM BORLIDO
Orientador(a): KELY CESAR MARTINS DE PAIVA
Este estudo teve como objetivo descrever e analisar como se encontram configurados os valores organizacionais e do trabalho de jovens recém-inseridos no mercado de trabalho, por meio do programa do Espro, em Belo Horizonte (MG). Para isso, o referencial teórico abordou uma evolução conceitual, modelos analíticos e escalas de mensuração dos temas centrais, a saber, valores organizacionais e valores do trabalho. Foi realizada uma pesquisa de campo, descritiva, com abordagem quantitativa e qualitativa, configurando uma triangulação entre métodos. A coleta de dados recorreu a três instrumentos: levantamento documental (Espro e instituições financeiras abordadas), questionários (290 respondentes) e entrevistas semiestruturadas com membros do Espro (a coordenadora da unidade e dois instrutores) e com 16 jovens. As técnicas de análise dos dados foram: análise documental, estatística descritiva uni e bivariada e análise de conteúdo. No que tange aos objetivos específicos delineados, o primeiro deles diz respeito a descrever o trabalho realizado pelo Espro junto aos jovens, incluindo-se as parcerias com as organizações contratantes. Observou-se que o Espro é uma instituição reconhecida no mercado e que parte de seus membros o vê como um local de satisfação pessoal e como uma instituição que pode contribuir para o crescimento e para a mudança de vida dos jovens que são atendidos. Quanto ao segundo objetivo específico, relativo a descrever como se encontram configurados os valores organizacionais de jovens recém-inseridos no mercado de trabalho, segundo modelo de Oliveira e Tamayo (2004), verificou-se que os valores organizacionais mais comungados pelos jovens são a "realização", o "prestígio" e a "conformidade"; em contrapartida, a "tradição" foi o que obteve os menores escores. Em relação ao terceiro objetivo, que visava descrever como se encontram configurados os valores do trabalho desses jovens, segundo modelo de Porto e Tamayo (2003), apurou-se um elevado escore para o valor "realização no trabalho" em ambas as fases da pesquisa; quanto aos demais -"estabilidade", "prestígio" e "relações sociais" -, houve divergência entre as análises quantitativa e qualitativa. Por fim, o último objetivo específico foi identificar e descrever possíveis correlações, semelhanças e diferenças entre os resultados relativos a cada um dos construtos e entre estes e os dados demográficos dos respondentes. Por meio da análise bivariada, constatou-se a existência de diferenças entre grupos de respondentes dos questionários e diversas correlações entre os dados. Após a identificação dos limites desta pesquisa, foram delineadas sugestões para o Espro, para os jovens e para pesquisas futuras.
Mestrando(a): GLEUCIR LEITE
Orientador(a): WENDEL ALEX CASTRO SILVA
RESUMO O estudo sobre sucess?o nas empresas familiares no Brasil tem aumentado gradativamente devido ? import?ncia que as empresas familiares t?m para com o desenvolvimento da economia. Entretanto, observa-se que os seus predecessores encontram dificuldades na transfer?ncia da passagem do bast?o, sendo que, em sua maioria, a sucess?o se torna algo dif?cil e com muitas barreiras, o que implica conflitos e outras quest?es ligadas ? sobreviv?ncia da organiza??o. Neste estudo, foram analisadas quatro empresas familiares localizadas na grande Belo Horizonte no estado de Minas Gerais. Para analisar a sucess?o familiar, buscou-se um estudo qualitativo de casos m?ltiplos, por meio de entrevistas semiestruturadas, utilizando a t?cnica de an?lise de conte?do e buscando particularidades dos sucedidos e sucessores que passaram ou est?o passando por esse processo. Observou-se, nos casos apresentados por meio de entrevistas realizadas nessas empresas, que a maioria dos sucessores s?o profissionais maduros e eficientes, caracter?sticas adquiridas na evolu??o desses sucessores nas empresas desde os primeiros passos at? a sua integra??o. Al?m disso, constatou-se que esses profissionais est?o devidamente preparados ou em prepara??o para assumir definitivamente o capital da empresa em longo prazo. A vulnerabilidade deste profissional exige mudan?a de comportamento. Configura-se neste momento um sucessor de uma empresa familiar se deparando com in?meros desafios onde o principal ? conciliar todas as atividades exigidas pela fun??o. Ao assumir a empresa, o indiv?duo se depara em seu cotidiano com atribui??es, barreiras e press?es que ir?o desafiar constantemente a sua capacidade de gest?o.
Mestrando(a): VICTOR DO CARMO OLIVEIRA
Orientador(a): WENDEL ALEX CASTRO SILVA
RESUMO As micros e pequenas empresas do Brasil geram emprego e renda para grande parte da popula??o economicamente ativa do pa?s, mas apresentam elevadas taxas de mortalidade, sobretudo, devido ? m? gest?o. Logo, torna-se importante seu aperfei?oamento gerencial para acarretar sua longevidade. Os processos de desenvolvimento dessas empresas s?o compreendidos como uma s?rie de etapas que devem ser superadas, desde a sua cria??o at? a sua consolida??o. Esse processo de evolu??o pelo qual passam as organiza??es tem sido denominado Ciclo de Vida Organizacional (CVO). Segundo o modelo de categoriza??o de CVO dessas empresas, baseado em est?gios, desenvolvido por Adizes (1990), o processo de evolu??o de uma organiza??o pode ser denominado de est?gio de desenvolvimento. Este relaciona-se ao perfil do processo gerencial implementado, incluindo nesse processo a estrutura organizacional, o estilo de lideran?a, o n?vel de burocracia e o modelo de delega??o e autoridade, os quais s?o influenciados pelo crescimento das empresas. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo identificar em qual est?gio do CVO est?o algumas micros e pequenas empresas distribuidoras de g?s liquefeito de petr?leo da regi?o metropolitana de Belo Horizonte/MG, a partir da abordagem de longevidade empresarial segundo a tipologia de Adizes (1990). Para isso, efetuou-se uma pesquisa descritiva e quantitativa, com uma amostra de noventa empresas selecionadas por acessibilidade. Os dados foram coletados por meio de question?rio fechado com a escala Likert de cinco pontos. Na an?lise de resultados, foi utilizada a t?cnica estat?stica de Ranking M?dio (RM) a fim de mensurar o grau de concord?ncia dos gestores e/ou propriet?rios em rela??o ?s caracter?sticas dos est?gios de CVO avaliadas. Em suma, os resultados sugeriram que pouco mais de 53% das empresas investigadas localizam-se na regi?o metropolitana; mais de 98% delas possuem at? 3 s?cios, sendo que o grau de escolaridade de pouco mais de 54% deles ? o ensino m?dio; em torno de 61% das empresas possuem entre 2 e 5 funcion?rios; mais de 60% possuem faturamento anual de at? R$ 240.000,00; quase 68% delas aderiram ao simples nacional. E, aproximadamente, 32% delas est?o em atividade entre 2 e 5 anos, sendo que somente 10% delas possuem mais de 15 anos. Quanto ao est?gio do CVO em que se encontram as empresas, para aquelas com at? 2 anos de atividades, n?o se pode apontar um est?gio espec?fico, situandose entre o terceiro e quarto est?gios; aquelas entre 2 e 5 anos, bem como as empresas com mais de 5 anos de vida situam-se do segundo para o terceiro est?gio. Como boa parte das empresas encontra-se em fase de transi??o de est?gios, podem estar passando por problemas ou crises, o que demanda maior aten??o de seus gestores sob pena de avan?arem em dire??o ? mortalidade, ao inv?s de evolu?rem para alcan?ar a longevidade.
08/04/2011 - A ORIENTA??O DO MARKETING PARA A INCORPORA??O DA SUSTENTABILIDADE: o que h? entre a comunica??o e a a?
Mestrando(a): SÉRGIO AUGUSTO CORRÊA DE SOUZA
Orientador(a): ALFREDO ALVES DE OLIVEIRA MELO
Resumo Este trabalho tem como objetivo principal analisar e descrever o marketing verde, como ferramenta capaz de projetar e sustentar a imagem da empresa, difundindo e destacando sua diferencia??o ecologicamente correta junto ? sociedade, aos fornecedores, aos funcion?rios e ao mercado, viabilizando o lucro com a sustentabilidade ambiental. Utilizando ferramentas e modelos, a empresa demonstra de forma transparente, como ferramenta fundamental nas suas estrat?gias e na gest?o empresarial, a redu??o de emiss?o de poluentes e dos gastos dos recursos renov?veis a partir da implanta??o da contabilidade de gest?o ambiental apoiadas no Global Reporting Initiative (GRI) , e dos relat?rios de sustentabilidade. Nesse aspecto, para desenvolver essa pesquisa bibliogr?fica e qualitativa, tomou-se como base para an?lise dos dados o Relat?rio Anual da Natura Cosm?ticos dos anos de 2006 e 2008 (compreendendo o per?odo de 2004 a 2008), que relata o desempenho econ?mico, ambiental e social da empresa. Como resultado, verifica-se ser poss?vel conciliar sustentabilidade com a lucratividade a partir do controle dos danos ambientais, da ?gua, da energia, do aumento progressivo do consumo dos combust?veis f?sseis, bem como do desmatamento (que acirram o efeito estufa), para a busca permanente de melhorias e, consequentemente, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade ambiental como diferencial competitivo nas seus neg?cios.
15/03/2011 - ALIANÇAS COMO ESTRATÉGIA DE COOPETIÇÃO NO SETOR DE BIOTECNOLOGIA: um estudo de caso na Fundação Ezequiel Dias
Mestrando(a): SIMONE ABREU BORGES DA SILVA
Orientador(a): ALEXANDRE TEIXEIRA DIAS
O interesse pelo tema da presente pesquisa nasceu do desejo de explorar o enfoque interativo das organizações, no que se refere ao processo de escolha de estratégias empresariais de cooperação em um contexto dinâmico, como é o da biotecnologia, regido por uma situação concorrencial, mas também pela interação entre as estruturas que o condicionam e pelas condutas inovadoras das organizações que o compõem. Por tratar-se de um meio no qual o conhecimento científico vigora, este acaba por tornar-se, talvez, um elemento da própria evolução concorrencial que se estabelece no setor. Diante disso, o que se pretendeu com a presente pesquisa foi trilhar caminhos pelos quais, talvez, seja possível compreender o fenômeno, objeto de estudo, considerando a existência de complementaridade entre o direcionamento exógeno, estabelecido pelo mercado e o direcionamento endógeno, estabelecido pelos recursos e pela própria construção de uma estratégia, no caso, baseada na coopetição - conceito que aproxima a competição da cooperação. Dessa forma, foi abordado um fenômeno específico e procura-se, nas próximas páginas, descrever a aplicação de aliança pela Fundação Ezequiel Dias, organização pública mineira, de forma a identificar como a aliança se estabelece como estratégia de coopetição no setor de biotecnologia. Para tanto, realizou-se revisão da literatura que trata dos modelos de administração estratégica, da competitividade e da cooperação. Utilizou-se como método de pesquisa, o estudo de caso descritivo, de natureza qualitativa. A coleta de dados amparou-se na análise de documentos legais produzidos pelo poder Executivo de Minas Gerais e pela Fundação Ezequiel Dias. Os dados primários foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas com dois gestores da Fundação Ezequiel Dias, além da utilização da observação direta. Para tratar os dados coletados, optou-se pela análise de conteúdo, desenvolvida de acordo com o objetivo geral estabelecido para o presente estudo. Os dados coletados nas entrevistas realizadas estão apresentados de acordo com a categorização proposta nos objetivos específicos desta pesquisa. Ao final, estão alinhavadas as considerações finais, seguidas das referências bibliográficas.
Mestrando(a): RONALDO FERREIRA MACHADO
Orientador(a): ADRIANA VIEIRA
A presente pesquisa investigou os processos pelos quais os vínculos se estabelecem nas relações interpessoais e com a organização, procurando compreender as implicações provenientes das interações dos indivíduos no ambientes aos quais estão inseridos, mais notadamente, nas organizações públicas. Nesse sentido, a questão central do estudo foi analisar as possíveis diferenças no processo de vinculação e de construção das identidades por parte dos servidores públicos e dos trabalhadores celetistas, no âmbito da Fundação e Associação de Servidores de uma IFES. Para tanto, a revisão da literatura abordou conceitos relativos aos vínculos pessoais e organizacionais, diferenciando a identificação de identidade, bem como a socialização enquanto elemento fundamental na construção da identidade dos indivíduos. Assim sendo, a metodologia adotada teve uma abordagem qualitativa, descritiva, realizada através de um estudo de caso, tendo como unidade de análise a Fundação de Apoio, denominada Alfa e a Associação dos Servidores, Beta, da IFES. Os sujeitos de pesquisa foram servidores públicos e trabalhadores contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), desses órgãos referenciados. A coleta de dados foi realizada através de entrevista pessoal, semi-estruturada, cujo roteiro foi baseado nos tipos de vínculos organizacionais de Kramer e Faria (2007). Todas as entrevistas foram transcritas na íntegra e submetidas a análise de conteúdo. De acordo com as análises dos dados, ficaram bem claras duas realidades distintas; para o servidor público, alguns fatores comprometem a vinculação e identificação com a organização, como a burocracia interna, problemas de infra-estrutura e obsolência de alguns equipamentos, o plano de carreira que impede a progressão de níveis funcionais, as disputas internas por cargos comissionados, criando conflitos pessoais, disputas de poder veladas entre grupos considerados da ?situação? e a ?oposição? e a remuneração percebida como inadequada na comparação com os salários de mercado. Por outro lado, a estabilidade é considerada importante para a vinculação dos servidores com a instituição. Já os celetistas, apesar de apresentarem percepções semelhantes a dos servidores públicos, estão inseridos num contexto diferenciado. O diferencial reside no fato que, apesar de se considerarem ambientados com a Instituição, ficou subentendido o sentimento de categoria de apoio, uma vez que todos os cargos de direção e comando na IFES são exercidos pelos servidores públicos. Dessa forma, ficou evidenciado o papel da Instituição na construção da identidade dos indivíduos, uma vez que essa é vista como local propício para se possa estabelecer um sentimento de pertencer a IFES.
15/02/2011 - ESTRESSE OCUPACIONAL: estudo com gerentes de cooperativas do Sistema Unimed no interior mineiro
Mestrando(a): REINALDO RIBEIRO PORTELA
Orientador(a): LUIZ CARLOS HONORIO
RESUMO Este estudo tem por objetivo geral analisar e descrever os fatores potenciais de press?o ocupacional a que est?o submetidos gerentes que atuam no sistema Unimed. Os dados foram coletados nas singulares localizadas no interior do estado de Minas Gerais. Foram pesquisados 84 gerentes, divididos em gerente geral e gerente de departamento ou ?rea. A pesquisa foi descritiva, de car?ter quantitativo e qualitativo. O m?todo de investiga??o envolveu um estudo de caso. Para a coleta de dados, foi utilizado um question?rio com escalas de frequ?ncia do tipo Likert, para avaliar fatores de press?o no trabalho, sintomas f?sicos e mentais, e estrat?gias de combate ao estresse ocupacional. Optou-se pelo modelo de estresse ocupacional de Cooper, Sloan e Williams (1988). Ap?s o levantamento dos dados quantitativos, realizou-se a etapa qualitativa, que objetivou aprofundar os dados levantados na etapa quantitativa da pesquisa, recorrendo-se ? utiliza??o de entrevistas semiestruturadas. Os dados foram tratados por meio de estat?sticas univariada e bivariada. Quanto ?s vari?veis demogr?ficas, ocupacionais e de h?bitos de vida, os resultados mais expressivos encontrados evidenciaram que os gerentes s?o do sexo masculino, tem idade acima de 36 anos, casados, possuem mais de dois filhos, s?o graduados, atuam na empresa h? at? 10 anos e revelam h?bitos saud?veis de vida, considerando-se que fazem pouco uso de bebida alco?lica e cigarro. De forma geral, todos os fatores de estresse ocupacional avaliados revelaram uma press?o moderada no trabalho dos gerentes pesquisados, com exce??o daqueles considerados intr?nsecos ao trabalho e daqueles associados ao relacionamento interpessoal. Entre os indicadores mais relevantes do fator relacionamento interpessoal, destaca-se com maior gravidade aquele ligado ao fato de os gerentes estarem sempre dispon?veis para o atendimento das pessoas. Entre os indicadores mais relevantes dos fatores intr?nsecos ao trabalho destaca-se tamb?m com maior gravidade execu??o de v?rias atividades simultaneamente e com alto grau de cobran?a. A pesquisa revelou que os sintomas mentais t?m maior impacto nos gerentes quando comparados aos sintomas f?sicos. Os sintomas mentais mais sentidos foram aqueles associados a ansiedade, perda e/ou oscila??o do senso de humor, nervosismo acentuado, ang?stia, ?mpetos de raiva e irritabilidade f?cil, enquanto que fadiga e sensa??o de dor nos m?sculos do pesco?o e ombros, e ins?nia foram apontadas como os sintomas f?sicos mais sentidos. As estrat?gias de combate avaliadas na pesquisa tenderam a ser muito utilizadas pelos gestores pesquisados, destacando-se que boa parte delas est? focalizada no planejamento das atividades e na defini??o de prioridades para t?-las como refer?ncia ao lidar com problemas. Em termos mais espec?ficos, os gerentes do sexo feminino e com faixa et?ria at? 40 anos revelaram sentir maior press?o por aspectos associados a fatores intr?nsecos ao trabalho e por aspectos relacionados a carreira e a desenvolvimento. Ainda, os gerentes do sexo feminino sentem-se mais pressionados por aspectos relacionados ao clima organizacional e ? interface casa/trabalho. Sobre aqueles gerentes com grau de escolaridade at? gradua??o, verificou-se que a maior press?o reside nos aspectos relativos ao desenvolvimento na carreira. Por fim, gerentes com tempo de trabalho na empresa de at? 10 anos s?o impactados mais frequentemente por fatores ligados ? interface casa/trabalho. Associando-se as vari?veis demogr?ficas, ocupacionais e de h?bitos de vida com os sintomas f?sicos e mentais, observa-se que as gerentes mulheres t?m maior sensa??o de sintomas f?sicos e 8 mentais do que os gerentes homens. Da mesma forma, os gerentes com faixa et?ria at? 40 anos apresentam em maior intensidade os sintomas f?sicos e mentais. J? aqueles gerentes com grau de escolaridade at? gradua??o apresentam em maior intensidade somente os sintomas mentais. A pesquisa revelou que h? associa??es entre sintomas f?sicos com fatores intr?nsecos ao trabalho, com o clima organizacional e com a interface casa/trabalho. Da mesma forma, foi revelado que h? associa??es entre os sintomas mentais com o desenvolvimento da carreira e com a interface casa/trabalho.
